O Ibovespa encerrou o pregão de ontem em forte queda de 1,80%, aos 177.098,29 pontos, em um dia de intensa turbulência nos mercados doméstico e internacional. O principal gatilho para a baixa foi o aumento do ruído político após uma reportagem do site The Intercept Brasil ligar o senador Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em supostas negociações de apoio financeiro. A notícia gerou cautela sobre o cenário eleitoral de 2026 e a estabilidade política, levando o índice à sua mínima desde o início do mês.
No cenário internacional, os investidores reagiram com pessimismo aos dados da inflação ao produtor (PPI) nos Estados Unidos, que saltou 1,4% em abril, o maior avanço mensal desde 2022. O dado reacendeu o temor de que o Federal Reserve possa manter os juros elevados por mais tempo para conter a pressão de preços, especialmente nos setores de energia e serviços. Além disso, a expectativa gira em torno do encontro histórico entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping em Pequim, que começa hoje, com foco em uma possível trégua tarifária e na resolução do conflito no Oriente Médio.
O dólar comercial disparou 2,30%, fechando a R$ 5,0025, rompendo novamente a barreira psicológica dos R$ 5,00. A valorização da moeda americana refletiu a aversão ao risco global e a saída de capital estrangeiro diante das incertezas políticas no Brasil. Os juros futuros (DIs) acompanharam o movimento e fecharam em alta expressiva, com o contrato para janeiro de 2027 saltando para 14,21%, pressionados pela combinação de risco fiscal e inflação externa.
No Brasil, o mercado monitora o impacto das novas pesquisas eleitorais e a resiliência da inflação. O governo federal segue em tratativas com Washington para evitar um “tarifaço” sobre as exportações brasileiras, enquanto o Banco Central avalia os próximos passos da Selic diante do dólar mais alto. Analistas alertam que a persistência do câmbio acima de R$ 5,00 pode pressionar o IPCA nos próximos meses, dificultando o controle das expectativas inflacionárias.
Entre as ações, a Petrobras (PETR4) recuou 2,43%, cotada a R$ 44,57, apesar de ter sido apontada em levantamento como a petroleira mais lucrativa do mundo no 1T26. O papel foi pressionado pela queda do petróleo e pelo cenário político conturbado. A Vale (VALE3), por outro lado, conseguiu segurar parte das perdas do índice ao operar próxima da estabilidade, sustentada pela expectativa em relação à visita de Trump à China. Os grandes bancos fecharam no vermelho, com destaque para o Itaú (ITUB4) e o Bradesco (BBDC4), que sofreram com a abertura da curva de juros e o aumento do risco-país.
Hoje, o foco total do mercado está no encontro Trump-Xi e na divulgação de novos indicadores de varejo nos EUA. No Brasil, o silêncio da agenda econômica doméstica deve fazer com que os ativos sigam a tendência externa e os desdobramentos do noticiário político, com investidores buscando sinais de estabilização após o tombo de ontem.