O Ibovespa encerrou o último pregão em queda de 0,42%, aos 170.415 pontos, descolando-se do otimismo observado nos mercados internacionais. O principal fator para esse desempenho negativo foi a forte desvalorização do petróleo no cenário global, motivada pelo anúncio de um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz. Como as empresas do setor petrolífero possuem grande peso na bolsa brasileira, as perdas registradas por companhias como Petrobras e Prio superaram os ganhos de outros segmentos, a exemplo do setor de defesa, que teve a Embraer (EMBR3, +7,2%) como destaque positivo após notícias sobre a exportação de aeronaves C-390 para a Grécia e perspectivas de expansão na Índia.
No ambiente externo, o entendimento diplomático entre Estados Unidos e Irã reduziu as tensões geopolíticas, levando o preço do barril de petróleo ao seu menor patamar em dois meses. Esse movimento favoreceu o apetite ao risco global e contribuiu para o fechamento em queda dos juros futuros no Brasil.
Enquanto as bolsas europeias registraram alta (Stoxx 600: +0,5%), o desempenho na Ásia foi misto, influenciado pela decisão do Banco do Japão (BoJ) – que elevou os juros para 1%, o nível mais alto desde 1995 – e por dados econômicos divergentes na China, que mostraram aceleração industrial, mas recuo nas vendas do varejo.
No cenário macroeconômico doméstico, o Relatório Focus apontou um aumento nas expectativas de inflação para os próximos anos, com as projeções para o IPCA de 2026 subindo para 5,30%. Em contrapartida, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 apresentou uma leve melhora, subindo para 1,96%, refletindo a resiliência da atividade econômica nacional frente às medidas de estímulo vigentes. O mercado permanece atento aos próximos passos das autoridades monetárias no Brasil e nos Estados Unidos para definir as tendências de investimento no curto e médio prazo.