O Ibovespa encerrou a última sexta-feira com uma queda de 0,61%, aos 177.283,83 pontos, acumulando uma desvalorização de 3,71% na semana, o pior desempenho semanal desde o início de março. O índice foi pressionado pela continuidade do “furacão político” doméstico e pelo mau humor global. A aversão ao risco foi alimentada por novas declarações do presidente Donald Trump que voltaram a estressar os mercados internacionais, somadas à persistente alta do petróleo, que atua como um vetor inflacionário global.
O cenário externo permanece desafiador com o petróleo Brent operando na casa dos US$ 111, refletindo novas tensões geopolíticas que impulsionam os preços da energia e arrastam as bolsas europeias para o território negativo nesta manhã. Em Nova York, os índices futuros operam mistos, enquanto os investidores digerem os desdobramentos do encontro entre Trump e Xi Jinping e os impactos das tarifas comerciais na cadeia de suprimentos global. O VIX, conhecido como o “índice do medo”, mantém-se em patamares elevados, sinalizando volatilidade persistente.
O dólar comercial valorizou-se 1,63% na sexta-feira, fechando a R$ 5,067, atingindo seu maior nível em mais de um mês. A divisa americana continua sendo o principal refúgio dos investidores diante das incertezas políticas no Brasil e da pressão nos juros americanos. No mercado de juros, os contratos de DI acompanharam a escalada do câmbio e do petróleo, com a curva futura precificando um cenário de inflação mais resiliente e menos espaço para cortes na Selic.
No Brasil, o Boletim Focus divulgado hoje reforçou a cautela: a projeção do mercado para o IPCA de 2026 subiu para 4,92%, marcando a nona semana consecutiva de alta nas expectativas inflacionárias. A estimativa para o crescimento do PIB manteve-se estável em 1,85%, enquanto a projeção para a Selic ao final de 2026 foi ajustada para cima, refletindo o ambiente de juros elevados por mais tempo. O mercado também monitora os desdobramentos das investigações políticas que têm gerado ruídos constantes em Brasília.
Entre as ações, a Petrobras (PETR4) e a Vale (VALE3) registraram fortes altas acumuladas em 2026, mas enfrentaram volatilidade na última sessão. A Petrobras encerrou o 1T26 com um retorno patrimonial de 29,3%, destacando-se como uma das petroleiras mais lucrativas do mundo, embora o papel sofra com o risco de interferência política. Já a Vale segue atrelada ao desempenho do minério de ferro e às expectativas de estímulos na China. O setor bancário, liderado por Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), fechou misto, sob pressão do aumento do risco-país e da abertura da curva de juros.
Hoje, o mercado inicia a semana sob pressão, atento aos dados de comércio do IBGE e à evolução das tensões no Oriente Médio. A combinação de petróleo em alta, dólar valorizado e expectativas de inflação em ascensão deve manter os investidores em uma postura de cautela defensiva, aguardando sinais de estabilização no cenário político e econômico.