Na sexta-feira, o Ibovespa registrou queda de 0,06%, encerrando a semana aos 173.714 pontos. O mercado foi influenciado pelas novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, pela cautela com o cenário fiscal doméstico e pelo aumento da aversão a risco no exterior.
No cenário internacional, as tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã continuaram no centro das atenções. Os ataques americanos ao Irã completaram o nono dia consecutivo, aumentando as dúvidas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz para o comércio marítimo. Como reflexo, o petróleo Brent voltou a superar os US$ 90 o barril, embora tenha recuado ligeiramente no período, sendo negociado ao redor de US$ 88. O avanço do petróleo reacendeu as preocupações inflacionárias e reforçou a expectativa de que o Federal Reserve (banco central americano) possa elevar os juros no segundo semestre. Nos Estados Unidos, o S&P 500 caiu 1,6% e o Nasdaq recuou 2,9%, pressionados pela forte realização nos papéis do setor de semicondutores.
No Brasil, os juros futuros avançaram ao longo da semana. O ambiente de incerteza foi parcialmente atenuado após os sinais de que ainda há espaço para uma solução diplomática no conflito entre Estados Unidos e Irã.
Na economia doméstica, o IBC-Br (indicador mensal de atividade do Banco Central) registrou alta de 0,1% em maio ante abril, acima da expectativa do mercado, que previa leve queda. O resultado sugere que a economia brasileira segue crescendo no segundo trimestre, embora em ritmo mais moderado do que no primeiro. A projeção de crescimento do PIB para 2026 permanece em 2,0%, com viés de alta. A renda real continua se expandindo em ritmo sólido, sustentada pelo mercado de trabalho aquecido e pelo aumento das transferências fiscais, o que deve compensar os efeitos dos juros elevados e da incerteza nos próximos meses.