Fevereiro em Números

fechamento fevereiro 2026

1.1 Destaques do mês

CENÁRIO BRASIL

A economia brasileira em fevereiro sinalizou normalização gradual com perspectivas de afrouxamento monetário ao longo de 2026. O mercado de trabalho permaneceu resiliente, desemprego em 5,4%, população ocupada em máxima histórica (102,6 milhões) e massa de rendimentos crescendo 7,6% em 12 meses, sustentando consumo e demanda doméstica.

inflação acelerou para 0,70% no mês (IPCA), puxada por Educação e Transportes, mas mantém-se controlada no acumulado anual (1,03%). O câmbio se beneficiou da valorização do real em ambiente de dólar mais fraco, enquanto o mercado acionário atingiu recordes (Ibovespa acima de 192 mil pontos), refletindo antecipação de cortes de juros.

Contudo, a sustentabilidade desse cenário depende da trajetória inflacionária, da comunicação do Banco Central e do risco fiscal crescente conforme se aproxima o ciclo eleitoral.

CENÁRIO INTERNACIONAL

O ambiente externo em fevereiro foi marcado por sinais de pouso suave nos Estados Unidos, com atividade desacelerando gradualmente mas demanda doméstica resiliente. A inflação norte-americana seguiu em desinflação de 2,4% em 12 meses, enquanto o mercado de trabalho manteve equilíbrio com criação de 130 mil vagas e desemprego em 4,3%.

O Banco Central americano permaneceu cauteloso, sinalizando apenas dois cortes de juros para 2026. O destaque do mês foi o enfraquecimento do dólar global, associado a incertezas políticas e avaliação de valuations elevados nos EUA, abrindo espaço para fluxo a mercados emergentes e favorecendo ativos brasileiros via câmbio e apetite a risco.

1.2 Cenário Brasileiro

ECONOMIA

A economia brasileira atravessou fevereiro com sinais consistentes de normalização gradual, sustentada por condições financeiras ainda restritivas, porém com maior probabilidade de transição para um ambiente de afrouxamento monetário ao longo de 2026. O comportamento recente dos ativos domésticos refletiu, em grande parte, fatores externos, especialmente o dólar mais fraco, e a atratividade relativa do carrego em moeda local, intensificada pelo diferencial de juros.

MERCADO DE TRABALHO

No mercado de trabalho, a taxa de desemprego subiu para 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, movimento explicado predominantemente pela sazonalidade típica do início de ano. Ainda assim, os indicadores de ocupação permaneceram em patamares elevados: a população ocupada alcançou 102,6 milhões, os empregados formais atingiram 39,4 milhões e o emprego no setor público ficou em 12,8 milhões, todos em máximas históricas.

O dinamismo do mercado de trabalho manteve suporte relevante à demanda doméstica, com massa de rendimentos em R$ 370,3 bilhões (alta de 7,6% em 12 meses) e rendimento habitual real em R$ 3.652 (crescimento de 5,6% em 12 meses), também em níveis recordes.

A formalização continuou avançando, embora a criação de vagas tenha desacelerado: em janeiro de 2026 foram 112 mil postos formais, 27% abaixo de janeiro de 2025. No acumulado em 12 meses, a geração líquida de vagas seguiu positiva, porém com desaceleração de aproximadamente 26% em relação ao ano anterior.

Para 2026, fatores estruturais tendem a limitar uma alta mais expressiva do desemprego, incluindo mudanças demográficas que reduzem o crescimento da força de trabalho, expansão do trabalho mediado por plataformas e maior peso de benefícios e transferências na oferta de trabalho. Ainda assim, a trajetória projetada aponta para elevação gradual e encerramento do ano em 6%.

Esse conjunto, desemprego baixo, crescimento real de renda e maior formalização, sustenta consumo e atividade, mas dificulta a convergência inflacionária, elevando o grau de cautela para o início e a velocidade de cortes de juros. A leitura predominante do período foi de que a flexibilização monetária tende a ocorrer, porém com ritmo gradual, calibrada à trajetória de inflação e expectativas.

No cenário de crescimento, o ambiente foi de expansão moderada em 2026, com composição mais concentrada no primeiro semestre e perda de tração na sequência, em linha com condições financeiras ainda contracionistas e menor impulso fiscal esperado adiante. A projeção macro de referência para 2026 apontou PIB em 1,8% e desemprego em 6% ao fim do ano.

CÂMBIO

No câmbio, a valorização do real foi favorecida por dólar global mais fraco e fluxo para emergentes. A projeção de taxa de câmbio ao fim de 2026 foi revisada para baixo no curto prazo, mantendo trajetória esperada de estabilização e posterior depreciação ao longo do ano, encerrando 2026 em R$ 5,65/US$.

FISCAL

No campo fiscal, a avaliação permaneceu desafiadora, com dinâmica de endividamento pressionada e necessidade de ajuste estrutural mais evidente a partir de 2027. A aproximação do ciclo eleitoral aumentou a sensibilidade do mercado a sinais de condução fiscal e a potenciais mudanças de agenda econômica, com impacto direto nos prêmios de risco, na curva de juros e na taxa de câmbio.

INFLAÇÃO IPCA e INPC

IPCA

O índice subiu para 0,70% em fevereiro, um aumento de 0,37 ponto percentual em relação a janeiro (0,33%). No acumulado do ano, chegou a 1,03%, e nos últimos 12 meses ficou em 3,81%, uma queda comparado aos 4,44% do período anterior.

Os principais responsáveis foram Educação (5,21% de variação) e Transportes (0,74%), que juntos representaram cerca de 66% da inflação do mês. Os demais grupos tiveram variações menores, entre 0,13% (Artigos de residência) e 0,59% (Saúde e cuidados pessoais).

Em resumo: inflação acelerou em fevereiro, puxada principalmente por educação e transportes, mas o índice anual ainda está controlado.

INPC

índice subiu 0,56% em fevereiro, acelerando em relação aos 0,39% registrados em janeiro. No acumulado do ano, o índice soma uma alta de 0,95%. Já no acumulado de 12 meses, a taxa caiu para 3,36%, vindo de um patamar anterior de 4,30%.

Os principais destaques foram Alimentos, tiveram uma leve aceleração, passando de 0,14% para 0,26% e Não alimentícios, registraram uma alta mais expressiva, subindo de 0,47% para 0,66%.

1.3 Cenário Internacional

O cenário internacional de fevereiro foi marcado por ajustes graduais e sinais de pouso suave nos Estados Unidos, combinados a ruídos institucionais associados à política comercial e à possibilidade de mudanças tarifárias, aumentando a incerteza para empresas e parceiros comerciais. A atividade norte-americana apresentou desaceleração gradual, com demanda doméstica resiliente mesmo diante de ruídos fiscais e políticos.

A inflação nos Estados Unidos seguiu em processo de desinflação, embora de forma heterogênea entre componentes. A leitura consolidada indicou inflação em 2,4% em 12 meses, com núcleo em 2,5% em 12 meses. No mercado de trabalho, os dados sustentaram avaliação de maior equilíbrio, com criação de 130 mil vagas (non-farm payrolls) e taxa de desemprego em 4,3%, sugerindo desaceleração ordenada sem ruptura abrupta.

A política monetária norte-americana permaneceu em postura cautelosa. A comunicação do banco central reforçou caráter ainda restritivo, com sinalização de trajetória de cortes condicionada ao comportamento da inflação e do mercado de trabalho, com expectativa de dois cortes de juros em 2026 no cenário base.

O enfraquecimento do dólar se destacou como vetor relevante do mês, associado à redução de excepcionalismo norte-americano, incertezas políticas e avaliação de valuations esticados em ativos dos Estados Unidos, abrindo espaço para maior diversificação global e fluxo para mercados emergentes. Esse movimento favoreceu ativos brasileiros por canais de câmbio, custo de capital e apetite a risco.

1.4 Bolsa

O mercado acionário brasileiro apresentou desempenho robusto em fevereiro, refletindo a combinação de ambiente externo mais benigno, valorização do real e antecipação do início do ciclo de cortes da Selic ao longo de 2026. O Ibovespa avançou para níveis recordes, superando 192 mil pontos, sustentado por fluxo externo e reprecificação de prêmio de risco. Em paralelo, o mercado de fundos imobiliários também se beneficiou do mesmo vetor, com o IFIX atingindo máxima histórica.

A leitura predominante foi de que, com o início de flexibilização monetária, há espaço para maior participação do investidor doméstico em renda variável, em especial em setores mais sensíveis à taxa de juros. Ainda assim, a sustentabilidade do rali permanece condicionada à trajetória de inflação, à comunicação do banco central, ao risco fiscal e ao componente político-eleitoral, que tende a aumentar volatilidade conforme 2026 avance.

A interação entre juros e bolsa permaneceu central: um ciclo de cortes gradual favorece múltiplos e reduz custo de capital, mas o ritmo depende de uma inflação que segue pressionada pela resiliência do mercado de trabalho e pela dinâmica de renda, o que limita uma reprecificação linear e reduz a probabilidade de um afrouxamento abrupto.

1.5 Projeções

Indicadores de 2026

Conforme o Boletim Focus 2026, a mediana das expectativas para 2026 indicou:

  • IPCA: 4,05% no início do ano (2/jan/2026), com posterior leitura mensal apontando 3,97% no Focus de referência do relatório (6/mar/2026).
  • PIB: 1,80%.
  • Câmbio: R$ 5,50/US$.
  • Selic: 12,25% a.a..
  • IGP-M: 3,95% no início do ano (2/jan/2026), com leitura de referência mensal em 3,90% (6/mar/2026).
  • IPCA Administrados: leitura anual no Focus de referência mensal em 3,69% (6/mar/2026).

 

Oscilações observadas

O conjunto das expectativas para 2026 mostrou, no período, elevada estabilidade em PIB, câmbio e Selic, com ajustes marginais. A inflação anual medida pelo IPCA apresentou recalibração para baixo entre a referência de início do ano e a referência mensal do relatório, em linha com narrativa de desinflação gradual, porém ainda acima do centro da meta. A sinalização implícita foi de continuidade de inflação em patamar que exige cautela para cortes de juros, o que converge com a leitura do mercado de trabalho ainda apertado e com renda real em expansão.

No setor externo, as projeções de conta corrente deficitária foram compatíveis com cenário de demanda doméstica relativamente resiliente, ao passo que a balança comercial permaneceu superavitária. No bloco fiscal, dívida líquida elevada e resultados primário e nominal negativos reforçaram o diagnóstico de risco fiscal estrutural, com impacto potencial sobre prêmios de risco em 2026 e maior relevância no horizonte de 2027.

fechamento fevereiro 2026

 

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