Janeiro em Números

fechamento janeiro 2026

1.1 Destaques do mês

Cenário Brasil: Copom mantém Selic em 15% a.a., mas sinaliza cortes a partir de março, com Selic terminal de 12,5% a.a. em 2026. Mercado de trabalho resiliente, com desemprego em 5,1% e massa de renda em R$ 361,7 bilhões.

Cenário Internacional: FOMC mantém taxa de juros dos EUA entre 3,5% a.a. e 3,75% a.a., com projeção de dois cortes em 2026. Intervenção dos EUA na Venezuela e aumento potencial da oferta de petróleo no médio prazo podem pressionar preços do petróleo para baixo. Groenlândia e o acordo UE–Mercosul despontam como pontos de atenção geopolítica e comercial, respectivamente, com possíveis impactos estratégicos e econômicos.

Bolsa Brasileira: Ibovespa atinge máximas históricas, rompendo os 180 mil pontos, com alta de 12,6% no mês. O rali foi sustentado por entrada de R$ 26,3 bilhões em capital estrangeiro na B3 em janeiro, evidenciando o forte apetite global por ativos brasileiros diante da perspectiva de queda de juros.

Projeções: Expectativas de inflação em leve queda com IPCA para 3,99% e IGP-M 3,92%, indicando maior confiança no quadro de preços. Sinais de melhora nos saldos externos (conta corrente menos negativa, comércio em alta) e no resultado fiscal primário, embora os déficits ainda persistam. PIB, câmbio e juros projetados estáveis, refletindo consolidação das expectativas de mercado.

1.2 Cenário Brasileiro

A economia brasileira inicia 2026 em um contexto de política monetária ainda bastante restritiva, com o Comitê de Política Monetária (Copom) mantendo a taxa Selic em 15% a.a.. Sinalizações do Copom indicam o início do ciclo de cortes já na próxima reunião, em linha com a convergência gradual da inflação à meta.

A projeção de inflação do Copom para o horizonte relevante (3º trimestre de 2027) situa-se em 3,2% no cenário de referência, dentro da meta, o que sustenta a expectativa de um primeiro corte de 0,5 ponto percentual na Selic em março. Assim, a taxa básica poderia encerrar 2026 em torno de 12,25% a 12,5% a.a., conforme as projeções de mercado.

Riscos para esse ciclo de afrouxamento monetário incluem uma possível atividade econômica doméstica mais aquecida que o previsto, um cenário fiscal mais expansionista, depreciação cambial e pressões inflacionárias adicionais. Do lado fiscal, embora 2025 tenha registrado resultado primário levemente negativo, cerca de -0,5% do PIB, a trajetória da dívida líquida do setor público, próxima de 70% do PIB, permanece desafiadora e exige disciplina fiscal para não comprometer a trajetória de queda dos juros.

No mercado de trabalho, os indicadores demonstram resiliência. A taxa de desemprego recuou para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, com cerca de 5,5 milhões de pessoas procurando emprego e um contingente recorde de 103 milhões de ocupados. Entre estes, o setor privado emprega 53 milhões, dos quais 39,4 milhões com carteira assinada.

Os trabalhadores por conta própria somam 26,1 milhões, refletindo expansão do emprego informal e autônomo. A massa de renda real habitual alcançou R$ 361,7 bilhões em 2025, representando um crescimento de 7,5% em relação a 2024. O rendimento médio real habitual atingiu R$ 3.560 mensais, aumento de 5,7% ano contra ano. Esse ganho de renda, difundido por diversos setores e favorecido pela valorização real do salário mínimo, reforça o consumo das famílias sem evidenciar, até o momento, pressões inflacionárias excessivas.

A leitura do Novo Caged registrou saldo de –618.164 vagas formais em dezembro/2025. O MTE ressalta que dezembro costuma apresentar retração por fatores sazonais, e que a variação de 2025 (–1,26%) é considerada compatível com o padrão histórico. Ainda assim, o resultado sugere alguma acomodação na margem, embora 2025 tenha encerrado com saldo positivo no acumulado do ano.

A expectativa é de uma alta gradual do desemprego em 2026, projetada em 6% ao final do ano, sem indicação de deterioração abrupta, mas com riscos associados ao crescimento mais fraco e ao juro elevado.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostra que os preços subiram 0,33% em janeiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado repete a mesma variação registrada em dezembro de 2025. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada chegou a 4,44%, acima dos 4,26% registrados no período anterior.

Em janeiro de 2025, a variação mensal havia sido de 0,16%. O grupo Transportes registrou alta de 0,60% em janeiro e foi o principal responsável pelo resultado do índice no mês, com impacto de 0,12 ponto percentual. A principal pressão veio dos combustíveis, que subiram 2,14%, especialmente a gasolina, com alta de 2,06% e o maior impacto individual no índice (0,10 ponto percentual).

câmbio tem se mantido relativamente estável. Após a leve apreciação do real no final de 2025, o dólar oscila na casa de R$ 5,30 no início de 2026. As expectativas do mercado apontam a taxa de câmbio em R$ 5,50/US$ ao fim de 2026, refletindo um balanço de riscos equilibrado no setor externo.

As contas externas apresentam quadro benigno: projeta-se para 2026 um déficit em conta corrente ao redor de US$ 30 bilhões e um superávit comercial próximo a US$ 68 bilhões, ambos com viés de melhora segundo as últimas leituras do Focus. O Investimento Direto Estrangeiro esperado (US$ 74 bilhões em 2026) deve continuar a cobrir com folga o déficit em conta corrente, sustentando a estabilidade cambial.

Do lado fiscal, o governo busca o equilíbrio das contas públicas por meio do novo arcabouço fiscal. Ainda assim, a persistência de déficits primários e a trajetória da dívida líquida do setor público, próxima de 70% do PIB, exigem atenção. Sinais de expansão de gastos ou renúncias de receita, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda aprovada no final de 2025, podem pressionar a demanda interna e as expectativas de inflação.

Nesse contexto, a coordenação entre política fiscal e monetária será crucial para assegurar a convergência duradoura da inflação à meta. Sinais de expansão de gastos ou renúncias de receita, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda aprovada no final de 2025 podem exercer pressão adicional sobre a demanda interna e as expectativas de inflação. Assim, a coordenação entre política fiscal e monetária será crucial: a convergência duradoura da inflação para a meta depende também do controle do déficit público e do cumprimento das metas fiscais estabelecidas.

1.3 Cenário Internacional

O cenário global em janeiro de 2026 é marcado por um Federal Reserve em compasso de espera e por importantes desenvolvimentos geopolíticos. O Federal Open Market Committee (FOMC) manteve os juros norte-americanos no intervalo de 3,50% a.a. a 3,75% a.a. na reunião de 28 de janeiro, rompendo uma sequência de cortes ocorrida ao longo de 2025. A economia dos EUA demonstra resiliência, com crescimento ainda sólido segundo o comunicado do Fed, porém a inflação permanece acima da meta de 2%, o que justifica a postura cautelosa.

A projeção para o final de 2026 sugere a taxa básica americana em torno de 3% a.a., implicando dois cortes moderados ao longo do ano caso a inflação continue recuando. Um risco institucional relevante no horizonte é a sucessão na liderança do Federal Reserve: o mandato do presidente Jerome Powell se encerra em maio de 2026, e o presidente dos EUA deverá indicar um novo chairman.

Esse processo ocorre em meio a tensões políticas, recentemente acirradas por investigações sobre Powell, e pode trazer incerteza à condução da política monetária norte-americana e aos mercados globais.

No âmbito geopolítico, a intervenção dos EUA na Venezuela, culminando com a deposição do regime de Nicolás Maduro, abre caminho para uma potencial reformulação da Lei de Hidrocarbonetos naquele país. A Venezuela detém reservas de estimadas 303 bilhões de barris de petróleo, cerca de 17% das reservas globais, porém sua produção em 2025 limitou-se a apenas 900 mil a 1,1 milhão de barris/dia, menos de 1% da oferta mundial.

Essa disparidade evidencia o enorme potencial ocioso: a normalização do ambiente político e a entrada de investimentos estrangeiros poderiam elevar significativamente a produção venezuelana. No médio e longo prazo, uma eventual modernização do setor petrolífero venezuelano tende a adicionar oferta ao mercado global, gerando um viés de baixa nos preços do petróleo.

De fato, a perspectiva de exportações venezuelanas crescendo nos próximos anos já contribui para ancorar expectativas de preços do barril em patamares mais comportados, embora incertezas persistam quanto à estabilidade política e operacional do país.

Em uma perspectiva estrutural e de longo prazo, a Groenlândia emerge como ativo econômico e militar estratégico para os EUA. O acelerado degelo no Ártico tem aberto novas rotas marítimas antes inacessíveis, encurtando em cerca de 40% as distâncias entre a Ásia e a Europa em comparação às rotas tradicionais pelo Canal de Suez.

Além disso, a ilha concentra aproximadamente 25% das reservas mundiais conhecidas de terras raras, minerais críticos para tecnologias de energia e defesa, enquanto a China domina cerca de 70% da produção global desses insumos. Diante disso, os EUA veem a Groenlândia como peça-chave para assegurar suprimentos minerais e projeção militar no Ártico. Movimentos recentes da diplomacia americana, intensificados no atual governo, refletem esse interesse: desde exercícios militares conjuntos com a Dinamarca até sondagens sobre investimentos em mineração local.

Essa conjuntura adiciona um elemento de imprevisibilidade à política externa norte-americana, pois disputa-se a influência sobre a Groenlândia em meio à competição com potências rivais no Ártico. Decisões envolvendo a ilha, seja em termos de presença militar, seja de acordos econômicos, podem impactar alianças tradicionais e prioridades de defesa dos EUA, exigindo atenção redobrada dos formuladores de políticas.

Outro ponto de destaque no cenário internacional é o acordo comercial União Europeia-Mercosul, que volta à pauta após longos impasses. O tratado, quando implementado, ligará 32 países sendo eles 27 da UE e 5 do Mercosul, mais de 700 milhões de consumidores e formará um mercado combinado de aproximadamente US$ 22 trilhões.

Entre suas disposições, prevê-se a eliminação de cerca de 90% das tarifas de importação entre os blocos ao longo de 10 a 15 anos, o que deve ampliar de forma significativa o acesso dos produtos agropecuários sul-americanos à Europa. Setores como carnes, frutas, grãos e lácteos brasileiros estão entre os maiores beneficiados, dada a alta competitividade regional e as elevadas tarifas atuais na UE. Estimativas do IPEA indicam um ganho acumulado de 0,46% no PIB brasileiro até 2040, equivalente a cerca de R$ 50 bilhões adicionais, decorrente do acordo, o Brasil seria o maior beneficiado proporcional entre os parceiros.

Apesar do otimismo, obstáculos permanecem: em 21 de janeiro, o Parlamento Europeu aprovou o envio do texto para revisão legal pelo Tribunal de Justiça da UE, decisão que atrasará a ratificação final em pelo menos 1 a 2 anos. Essa revisão reflete pressões de agricultores europeus e preocupações ambientais com as práticas sul-americanas.

Assim, embora o acordo UE–Mercosul represente uma oportunidade de longo prazo para o Brasil. em termos de exportações e até de atração de investimentos pela integração em cadeias europeias, sua implementação deverá ser postergada, condicionada a esclarecimentos jurídicos e eventuais ajustes adicionais (como garantias ambientais) para assegurar aprovação por todos os membros da UE.

1.4 Bolsa

O mercado de ações brasileiro registrou um desempenho excepcional em janeiro de 2026. O Ibovespa atingiu novos recordes históricos e chegando a ultrapassar os 180 mil pontos no intraday pela primeira vez. No fechamento do mês, o Ibovespa acumulou alta de 12,6%, configurando o melhor mês de janeiro em duas décadas e o maior salto mensal desde 2020.

Este movimento foi impulsionado por uma expressiva entrada líquida de capital estrangeiro na bolsa: investidores globais aportaram cerca de R$ 26,3 bilhões líquidos ao longo de janeiro, sendo que R$ 21,9 bilhões ingressaram até o dia 28, indicando aceleração do fluxo ao longo do mês. Esse movimento reflete uma estratégia de diversificação internacional: com as tensões geopolíticas e a perspectiva de juros em queda no Brasil, fundos estrangeiros voltaram a olhar para os emergentes como destino atrativo.

De fato, o Brasil destacou-se entre os mercados emergentes, combinando múltiplos ainda descontados e melhora nos fundamentos macroeconômicos, o que não passou despercebido aos investidores internacionais.

A avaliação do mercado agora pondera os próximos passos. Por um lado, o rali rápido eleva o risco de realização de lucros de curto prazo, correções técnicas podem ocorrer, especialmente se notícias externas provocarem aversão ao risco global. Por outro lado, a trajetória esperada de queda dos juros domésticos ao longo de 2026 atua como vetor positivo para a renda variável, reduzindo o custo de capital e aumentando a atratividade relativa das ações frente à renda fixa.

Setores cíclicos e ligados ao mercado interno, como varejo, construção e pequenas empresas, tendem a se beneficiar de juros menores, enquanto empresas exportadoras podem ganhar com eventual depreciação cambial moderada. Há também expectativa de retomada nos IPOs caso a janela de mercado favorável persista, algumas ofertas já estão em análise, sinalizando maior confiança. Em suma, a bolsa brasileira inicia 2026 com força total e recuperação de patamares históricos, mas os agentes seguem atentos à volatilidade externa e à concretização do cenário de desinflação e ajuste fiscal que justifiquem as atuais precificações elevadas.

1.5 Projeções

As projeções para os principais indicadores macroeconômicos, com base no Boletim Focus do Banco Central, revelam as expectativas de mercado para 2026 e suas alterações ao longo de janeiro. A comparação entre as medianas estimadas em 26/12/2025 e em 30/01/2026 indica os seguintes ajustes:

  • Inflação (IPCA): projetada em 3,99% para 2026, ante 4,05% no final de 2025, uma redução de -0,06 p.p. nas expectativas. Também a inflação IGP-M recuou levemente, de 3,95% para 3,92%. Essas revisões refletem o cenário de menor pressão de demanda e melhores condições de oferta (ex.: alívio nos preços de commodities e estabilização do câmbio).
  • Crescimento do PIB: mantido em 1,80% para 2026, indicando que as expectativas de expansão da atividade não se alteraram durante o mês. Esse nível de crescimento projeta uma leve desaceleração, compatível com juros ainda restritivos na primeira metade de 2026.
  • Câmbio (R$/US$): Que era de 5,50 em 26/12/2025, manteve-se em 5,50 em 30/01/2026, sem variação. A estabilidade da projeção cambial sugere ausência de novos choques externos esperados e um balanço de pagamentos bem comportado, com reservas internacionais robustas.
  • Taxa Selic (% a.a.)12,25% ao final de 2026, inalterada em relação ao mês anterior. O mercado, portanto, já precificava um ciclo de cortes moderado (de 2,75 p.p. ao longo do ano, desde os 15%) e não alterou essa visão em janeiro, indicando consolidação das expectativas desde o fim de 2025.
  • Inflação Administrados (IPCA Admin): expectativa reduzida de 4,00% para 3,95%. Com preços administrados (tarifas públicas, combustíveis, etc.) comportados, espera-se menor pressão vinda desses itens, ajudando o IPCA total a convergir para perto da meta.
  • Setor Externo: melhora marginal. O déficit em conta corrente projetado passou de US$ 30,0 bi para US$ 29,5 bilhões (menos negativo), enquanto o superávit na balança comercial foi ajustado de US$ 67,0 bi para US$ 67,9 bilhões (maior saldo). Tais mudanças de +US$0,5 bi e +US$0,9 bi, respectivamente, indicam uma visão um pouco mais otimista para as contas externas, refletindo expectativas de exportações em alta (beneficiadas pelo acordo Mercosul-UE no horizonte e pela recuperação da Venezuela) e importações contidas pela atividade moderada.
  • Investimento Direto no País (IDP): passou de US$ 74,0 bi para US$ 74,35 bilhões, representando uma variação de +0,35 US$ bilhões. O Brasil segue atraindo capital produtivo, favorecido pelas perspectivas de estabilização macro.
  • Indicadores Fiscais: projeção de Dívida Líquida ligeiramente maior de 70,25% para 70,32% do PIB, representando uma melhora sutil nas projeções fiscais, resultado primário de -0,53% do PIB, ante -0,56% e resultado nominal de -8,60% do PIB, ante -8,61%. Em outras palavras, o mercado continua vendo déficits fiscais em 2026, porém marginalmente menores que antes. Ainda assim, o ajuste projetado é tímido e reforça a necessidade de reformas e disciplina fiscal para colocar a dívida em trajetória sustentável.

 

Em suma, as projeções de mercado convergiram para um cenário de inflação um pouco menor e contas externas ligeiramente melhores, enquanto mantêm praticamente inalteradas as perspectivas para atividade, câmbio e juros. Essa estabilidade das expectativas sugere que não surgiram surpresas significativas no início de 2026, ao contrário, houve uma consolidação da visão relativamente otimista que se formou no final de 2025.

Os agentes econômicos parecem confiantes de que a inflação ficará sob controle (próxima de 4%) e que o Banco Central poderá conduzir o ciclo de queda de juros de forma gradual, conforme antecipado. No entanto, vale notar que esse panorama favorável depende crucialmente da materialização dos pressupostos de responsabilidade fiscal doméstica e ausência de choques externos severos, pontos tratados adiante.

 

fechamento janeiro 2026

 

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