O Ibovespa fechou em queda de 0,93%, aos 172.447 pontos, na contramão dos mercados globais, que subiram puxados por ações de tecnologia e inteligência artificial. Entre as ações brasileiras, a Brava Energia (BRAV3) subiu 3,3%, impulsionada por uma produção mais forte em junho. Já a Lojas Renner (LREN3) caiu 4,8%, pressionada pelo cenário macroeconômico doméstico mais adverso.
No mercado de juros, a curva DI fechou em leve baixa, os contratos para janeiro de 2027 caíram para 13,99%, os contratos para 2029 foram a 14,03% e os para 2031 recuaram para 14,29%. As NTN-B também cederam: o papel com vencimento em 2029 foi a 8,50% de taxa real, o de 2035 a 8,15% e o de 2050 a 7,58%.
No exterior, as ações de semicondutores voltaram a cair fortemente, pressionando empresas como Micron e Nvidia. Apesar disso, o Dow Jones renovou sua máxima histórica, sinalizando que investidores estão migrando para outros segmentos. O mercado aguardava os dados da balança comercial americana. Na Europa, o índice Stoxx 600 ficou estável. Na Ásia, o Kospi sul-coreano liderou as perdas (-4,9%), enquanto as bolsas chinesas também fecharam em baixa.
O Boletim Focus mostrou uma leve melhora na projeção de inflação para 2026, de 5,33% para 5,30%, influenciada pela queda do petróleo. Para 2027, a estimativa subiu de 4,17% para 4,18%, mantendo o cenário de desencorajem das expectativas. A projeção para a Selic permaneceu em 14,00% no fim de 2026 e 12,00% em 2027. O câmbio permanecia estimado em R$ 5,20 por dólar para o fim do ano, nível mais fraco que o de um mês atrás, refletindo maior cautela com o cenário externo.
No Brasil, as campanhas eleitorais devem ganhar força em julho, com as convenções partidárias. No campo fiscal, a menor arrecadação com petróleo deve ser compensada pela redução dos subsídios aos combustíveis, mantendo o déficit primário de 2026 em 0,3% do PIB.
A Arábia Saudita reduziu significativamente o preço do petróleo vendido à Ásia, movimento que não se via desde a guerra de preços de 2020. A decisão reflete o aumento da oferta global e a disputa por compradores, especialmente após o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, que elevou os embarques pelo Estreito de Ormuz. O petróleo Brent devolveu todos os ganhos acumulados durante o conflito, com cargas físicas negociadas com descontos não vistos desde a pandemia.