O Ibovespa encerrou o pregão de sexta-feira em queda de 0,77%, aos 169.019 pontos, acumulando a oitava perda semanal consecutiva e recuo de 2,74% na semana. Os papéis da Vale (VALE3, -3,78%) foram o principal destaque negativo, respondendo pela maior influência negativa em volume, seguidos pela Petrobras, que também pressionou o índice. O dólar comercial disparou 1,78%, encerrando cotado a R$ 5,157, o maior nível de fechamento desde abril, acumulando valorização de 2,26% na semana frente ao real.
No cenário internacional, foi divulgado o payroll americano de maio, que surpreendeu com a criação de 172 mil vagas fora do setor agrícola, mais que o dobro das 80 mil esperadas pelo mercado e o resultado mais forte em mais de dois anos. A taxa de desemprego permaneceu em 4,3% e o ganho médio por hora avançou 0,3%. O dado reacendeu o temor de que o Federal Reserve precise manter os juros elevados por mais tempo, em um momento especialmente sensível, às vésperas da primeira reunião sob o novo presidente Kevin Warsh. As bolsas de Nova York tombaram: Dow Jones recuou 1,35% e Nasdaq despencou 4,18%.
No Brasil, o Banco Central revisou suas projeções e passou a projetar uma Selic encerrando 2026 em 13,50%, citando deterioração da inflação corrente e perspectiva de pausa no ciclo de afrouxamento até meados de 2027. A perspectiva de diferencial de juros menor entre Brasil e EUA reduz a atratividade dos ativos domésticos para o capital estrangeiro, ampliando a pressão sobre o câmbio. O risco geopolítico segue elevado, com o Irã condicionando qualquer acordo de paz à retirada israelense do sul do Líbano e com o Estreito de Ormuz ainda interditado.