O Ibovespa renovou sua máxima histórica nominal ontem, disparando 2,09% e encerrando aos 192.201,16 pontos. O movimento de euforia foi impulsionado pelo alívio nas tensões geopolíticas no Oriente Médio, após o anúncio de um cessar-fogo e a sinalização de reabertura do Estreito de Ormuz. O índice brasileiro acompanhou o otimismo global, superando o recorde anterior de 191.490 pontos e acumulando uma valorização de 19,3% no ano.
O alívio veio após dias de pânico causados por ameaças de bloqueio energético, que haviam levado o VIX a subir e as bolsas mundiais a operarem em queda. Com a trégua entre Estados Unidos e Irã, o apetite ao risco retornou com força aos mercados de Nova York e da Europa. A reabertura do Estreito de Ormuz é vista como um gesto crucial de boa-fé para a estabilização dos fluxos globais de energia, reduzindo o temor de uma crise de desabastecimento semelhante às registradas em 1973 e 1979.
O dólar comercial acompanhou a melhora do humor e despencou 1,01%, fechando a R$ 5,1035, o menor valor em quase dois anos. No mercado de juros, as taxas futuras (DIs) tombaram mais de 50 pontos-base em toda a curva, refletindo a queda drástica nos preços do petróleo, que recuaram cerca de 16% em um único dia, voltando ao patamar de US$ 90 por barril.
No Brasil, o governo federal reforçou o pacote de medidas para conter os preços dos combustíveis, com o objetivo de mitigar os efeitos da volatilidade externa em ano eleitoral. Entre as ações anunciadas estão novas subvenções ao diesel nacional e importado, que podem chegar a R$ 1,20 por litro. Analistas destacam que o controle dos preços é vital para segurar o IPCA, cuja prévia foi de 0,44% em março, pressionada principalmente pelos custos de energia e transporte.
Entre as ações, a Petrobras (PETR4) foi o destaque negativo, recuando 3,92% (R$ 46,61) e perdendo quase R$ 28 bilhões em valor de mercado em função da queda do petróleo. Em contrapartida, a Vale (VALE3) subiu 2,27%, cotada a R$ 85,59, impulsionada pela recuperação das commodities e pela melhora do cenário global. O setor bancário também fechou no azul, com Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) registrando ganhos sólidos em meio ao fechamento da curva de juros.
Para os próximos dias, o mercado acompanha com cautela os dados de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos, referentes a março, cuja divulgação ocorrerá amanhã. A expectativa de inflação para os próximos 12 meses subiu para 3,4%, segundo pesquisa do Federal Reserve de Nova York, mantendo a autoridade monetária em estado de atenção. No Brasil, o foco permanece na implementação dos subsídios aos combustíveis e na sustentação do novo patamar recorde da bolsa.