O Ibovespa encerrou o pregão de segunda-feira em queda de 1,19%, aos 181.909 pontos. O índice segue pressionado pela continuidade das tensões no Oriente Médio, enquanto a alta nas expectativas de inflação e a abertura da curva de juros pressionaram principalmente os papéis mais cíclicos. A Vale (VALE3, +2,4%) se destacou, acompanhando a alta dos preços do minério de ferro e a C&A (CEAB3, -7,7%) liderou as perdas do pregão, pressionada pela alta dos juros futuros.
No mercado internacional, as bolsas de valores reagiram ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã. No final de semana, o presidente Donald Trump rejeitou a contraproposta iraniana, classificando-a como “totalmente inaceitável” e afirmou que o cessar-fogo “está por um fio”. Segundo o portal de notícias Axios, a possibilidade de os Estados Unidos retomarem ataques militares está em discussão. Com o Estreito de Ormuz praticamente interditado, o preço médio do petróleo (tipo Brent) subiu cerca de 3% na segunda-feira, para US$ 104 por barril. A alta nos preços de energia reacendeu preocupações com a inflação e pressionou as taxas de juros globais.
No Brasil, o Boletim Focus do Banco Central trouxe poucas mudanças. A mediana das expectativas de mercado para o IPCA de 2026 aumentou de 4,89% para 4,91%. Para 2027 e 2028, por sua vez, as projeções de inflação continuaram em 4,00% e 3,64%, respectivamente. O choque de oferta global, combinado a uma atividade doméstica ainda resiliente, requer uma postura mais cautelosa da política monetária. Em termos práticos, isso implica um ritmo de flexibilização mais gradual ao longo dos próximos meses em relação ao cenário observado antes do conflito no Oriente Médio. Hoje, destaque para a divulgação do IPCA de abril, que deve registrar mais um aumento relevante em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio.