O mercado financeiro brasileiro encerrou ontem com nova retração, acompanhando o desempenho negativo da véspera. O Ibovespa recuou 0,45%, fixando-se nos 169.648,47 pontos. Diferente do pregão anterior, as bolsas em Nova York apresentaram resultados mistos, com o Dow Jones sendo o único índice positivo, enquanto na Europa as altas prevaleceram de forma moderada. Esse movimento global reflete a cautela antes da decisão sobre os juros nos Estados Unidos, que ocorre hoje, somada a uma realização de lucros após o recente IPO da SpaceX.
No cenário geopolítico, a expectativa gira em torno do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, previsto para ser assinado na Suíça na próxima sexta-feira. A perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada da comercialização do petróleo iraniano pressionaram a commodity para baixo pela terceira sessão consecutiva. Contudo, as tensões entre o governo americano e Israel devido ao conflito no Líbano ainda representam obstáculos para a estabilidade regional.
Internamente, o cenário é de volatilidade. O dólar comercial avançou 0,39%, cotado a R$ 5,086, enquanto os juros futuros operaram sem direção única. Investidores estrangeiros demonstram crescente pessimismo com os ativos locais. Dados da XP indicam que 80% dos fundos multimercados agora apostam na alta da moeda americana, uma mudança drástica em relação ao consenso de queda registrado em abril. Além disso, a exposição ao mercado acionário brasileiro caiu para 60%, enquanto as posições vendidas em ações nacionais dobraram no período.
Na política, o presidente Lula participou da reunião do G7 na França. Embora não tenha avançado nas negociações tarifárias com Donald Trump, o governo brasileiro logrou progressos nas exportações de proteínas para a Europa. No plano eleitoral, novas pesquisas mostram Lula com uma vantagem superior a 12 pontos percentuais sobre o senador Flavio Bolsonaro. No campo econômico, as vendas no varejo de abril vieram abaixo das projeções, sinalizando o impacto da política monetária restritiva. Apesar das incertezas, a agência Fitch reafirmou o rating “BB” do Brasil com perspectiva estável, destacando a resiliência da economia diversificada e as finanças sólidas.
No setor corporativo, a Petrobras recuou 1,43%, influenciando a queda do índice, acompanhada pela PRIO, que perdeu 0,60%. A Vale subiu 0,28%, atuando como contrapeso ao pessimismo. O setor bancário teve oscilações discretas: o Banco do Brasil subiu 0,05%, o Itaú ficou estável, o Bradesco avançou 0,40% e o Santander caiu 0,07%. O destaque positivo foi o GPA, com alta de 7,95%. Já a Braskem registrou a maior perda do dia, desvalorizando 9,76% após tornar-se ré em processos criminais e ambientais relacionados ao afundamento do solo em Maceió.
Hoje o dia é marcado pela “Super Quarta”, com as definições de política monetária do Federal Reserve e do Copom. A expectativa do mercado é de uma manutenção da taxa americana e um possível corte de 0,25 ponto percentual na Selic, mantendo ainda um diferencial significativo entre os juros das duas economias.