O cenário internacional foi o principal vetor dos mercados no fechamento de ontem. Nos Estados Unidos, o banco central manteve a taxa básica entre 3,50% e 3,75%, conforme esperado, mas adotou comunicação mais dura ao retirar a sinalização de corte como próximo passo provável. A leitura foi de maior cautela diante de projeções mais elevadas para inflação e juros, movimento que pressionou títulos públicos, fortaleceu o dólar e reduziu o apetite por risco.
No campo geopolítico, o entendimento entre Estados Unidos e Irã para encerrar os combates e reabrir o Estreito de Ormuz reduziu parte do prêmio de risco sobre o petróleo, que recuou para perto de US$ 80 por barril. O alívio exige prudência, pois temas nucleares e regionais seguem em aberto. Na Europa, as bolsas operaram sem direção única, à espera da decisão do Banco da Inglaterra, enquanto os mercados asiáticos tiveram desempenho misto.
No Brasil, o Ibovespa encerrou a quarta-feira em queda de 0,7%, aos 168.454 pontos, acompanhando a cautela externa e a expectativa pela decisão do Copom. Empresas ligadas a commodities metálicas foram pressionadas pela queda do minério de ferro, enquanto movimentos corporativos sustentaram ganhos pontuais. Na renda fixa, os juros futuros subiram na curva, refletindo o avanço das taxas externas e a postura cautelosa do banco central norte-americano. As NTN-Bs também registraram alta das taxas, reforçando a atenção à marcação a mercado nos RPPS.
O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25%, mas o comunicado indicou menor espaço para novos cortes. A autoridade monetária reconheceu atividade resiliente, pressões inflacionárias relevantes e projeções mais altas para o IPCA. Assim, embora novas reduções não estejam descartadas, projeções apontam que a continuidade do ciclo dependerá de melhora mais clara da inflação. O IBC-Br de abril avançou 0,5% frente a março, sinalizando atividade firme. Para os próximos dias, ficam no radar a decisão do Banco da Inglaterra, dados de emprego e atividade nos Estados Unidos, inflação japonesa e sinais sobre combustíveis no Brasil.