Ontem, véspera de São João, o Banco Central acendeu a fogueira com a ata do Copom. O documento detalhou a decisão unânime de cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, mas gerou mais confusão do que clareza no mercado financeiro.
O Ibovespa começou o dia em baixa, se recuperou e fechou em alta de 0,52%, aos 171.258,87 pontos — terceiro avanço consecutivo, com ganho de 888,49 pontos. O real, porém, não acompanhou: o dólar comercial subiu 0,88%, a R$ 5,187. Os juros futuros (DIs) predominaram em baixa.
A ata do Copom tentou justificar o corte de 0,25 ponto percentual na Selic com base nas projeções de mercado e na busca por menor volatilidade econômica, mas a explicação não convenceu. O problema foi a contradição entre diagnóstico e ação: o BC apresentou um cenário mais pessimista para a inflação, com riscos de alta predominantes, mas na prática adotou uma medida mais branda — cortou os juros em vez de segurá-los. Essa incoerência gerou críticas e ampliou o ruído na comunicação da política monetária. Um dos pontos que mais chamou a atenção foi a indicação de que os riscos de a inflação subir são maiores que os de cair, uma sinalização que não havia aparecido no comunicado da reunião anterior e que tornou a decisão do corte ainda mais difícil de justificar.
Em Wall Street, os papéis de tecnologia pressionaram os índices para baixo. Dow Jones, S&P 500, Nasdaq e Russell 2000 fecharam no vermelho. O tema da supervalorização das ações de Inteligência Artificial voltou à tona, junto com o sobe e desce das ações da SpaceX, que receberam grau de investimento em tempo recorde e geraram desconfiança. Na Europa, as bolsas também fecharam em baixa, pressionadas pelo setor de tecnologia. O Banco Central Europeu sinalizou que a zona do euro pode ser mais resiliente do que se esperava.
No mercado doméstico, investidores foram às compras, aproveitando a percepção de que a bolsa brasileira está barata, mesmo com a ausência de estrangeiros — algo esperado em ano eleitoral. Vale (VALE3) caiu 1,90%. Santander (SANB11) recuou 0,74%, único grande banco no vermelho. Os demais subiram. Petrobras (PETR4) subiu 0,54%, ignorando a baixa do petróleo internacional, que se aproxima dos níveis pré-guerra do Irã.
A dúvida que fica é por quanto tempo o Ibovespa sustentará os ganhos. Três altas seguidas têm sido raras — resta saber se o movimento vai além da festa junina.