O mercado financeiro global iniciou a semana com otimismo, impulsionado pela perspectiva de um acordo diplomático entre os Estados Unidos e o Irã. A possibilidade de entendimento prevê a extensão do cessar-fogo por 60 dias, a reabertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de pedágio e a suspensão do bloqueio a portos iranianos, permitindo que o país volte a exportar petróleo livremente. Como reflexo direto dessa sinalização, a cotação do barril de petróleo do tipo Brent recuou cerca de 7%, sendo negociada próximo de US$ 96, o menor patamar em duas semanas.
Esse cenário de alívio no preço da energia favoreceu as bolsas asiáticas, com destaque para a alta de 2,55% no índice Kospi, da Coreia do Sul, que atingiu nova máxima histórica, e para a valorização de 0,5% no índice CSI 300, da China. Paralelamente, o Nikkei japonês passou por uma leve realização de lucros após superar os 65 mil pontos na sessão anterior.
No cenário nacional, o Ibovespa acompanhou o maior apetite global ao risco e encerrou a segunda-feira em alta de 0,91%, aos 177.816 pontos, com valorização na maioria das ações que compõem o índice. O movimento foi reforçado pela queda de juros futuros em bloco, com maior alívio nos vencimentos intermediários e longos, reagindo à forte desvalorização do petróleo no exterior.
No âmbito macroeconômico brasileiro, contudo, o Boletim Focus registrou a 11ª elevação consecutiva nas projeções de inflação para 2026, com a mediana do IPCA subindo para 4,92%, evidenciando a persistência dos impactos do choque energético global. Em outra frente, o Índice de Confiança do Consumidor, medido pela Fundação Getulio Vargas, recuou 0,3 ponto em maio, interrompendo uma sequência de duas altas. O indicador revelou um comportamento misto: enquanto a percepção sobre a situação atual avançou para o melhor nível desde dezembro de 2014, as expectativas futuras recuaram, pressionadas pela maior cautela das famílias de menor renda.
Por fim, no campo legislativo, avançou na Câmara dos Deputados a tramitação da proposta de emenda à Constituição que visa extinguir a escala de trabalho de seis dias por um de descanso (6×1). O parecer apresentado à comissão especial sugere a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso sem redução salarial, com uma transição gradual prevista para ocorrer em duas etapas ao longo de 12 meses.