O Ibovespa encerrou a última sexta-feira com uma queda de 0,81%, aos 176.209,61 pontos, pressionado pelo desempenho negativo do setor bancário e pela cautela com o cenário político e fiscal. O índice brasileiro destoou do otimismo em Wall Street, onde os mercados renovaram recordes, refletindo a aversão ao risco doméstico em meio a novas notícias sobre as eleições de 2026 e as tensões geopolíticas no Oriente Médio. Em maio, o Ibovespa já acumula uma desvalorização de 5,93%, limitando os ganhos expressivos registrados no início do ano.
O cenário externo nesta manhã é marcado por um forte alívio nos preços das commodities energéticas. O petróleo Brent despencou mais de 5%, voltando a ser negociado abaixo de US$ 100, cotado a US$ 97,57 o barril, diante de novos sinais de descompressão nas tensões entre EUA e Irã. Esse movimento traz um respiro para as expectativas inflacionárias globais e impulsiona os futuros em Nova York, embora o mercado permaneça atento à volatilidade causada pelas declarações do presidente Donald Trump e aos impactos na cadeia de suprimentos.
O dólar comercial subiu 0,55% na sexta-feira, fechando a R$ 5,0282, consolidando-se acima do patamar de R$ 5,00. A valorização da moeda americana reflete a busca por proteção dos investidores e a saída de capital estrangeiro. No mercado de juros, os contratos de DI seguem sob pressão, acompanhando a deterioração das expectativas inflacionárias domésticas e o cenário de política monetária mais restritiva sinalizado pelo Banco Central.
No Brasil, o Boletim Focus divulgado hoje trouxe novos ajustes: a projeção do mercado para o IPCA de 2026 subiu para 4,92%, mantendo a tendência de alta nas expectativas. Em contrapartida, houve uma revisão positiva para o crescimento do PIB de 2026, que passou de 1,85% para 1,90%, indicando uma resiliência da atividade econômica maior do que a esperada anteriormente. A estimativa para a taxa Selic ao fim de 2026 também foi ajustada para cima, agora em 13,25% ao ano, reforçando o cenário de juros elevados por um período prolongado.
Entre as ações, a Petrobras (PETR4) e a Vale (VALE3) seguem como os principais motores do Ibovespa em 2026, acumulando altas superiores a 24% no ano. No entanto, a Petrobras enfrenta volatilidade com a queda acentuada do petróleo nesta manhã, enquanto a Vale monitora os sinais de demanda da China. Os grandes bancos foram os principais detratores do índice na última sessão, sofrendo com o aumento do risco-país e as incertezas fiscais que pressionam a curva de juros.
Hoje, o mercado abre atento aos números do Focus e à forte queda do petróleo, que deve aliviar a pressão sobre os ativos ligados ao consumo, mas pesar sobre as petroleiras. A agenda doméstica é esvaziada, fazendo com que os investidores foquem nos desdobramentos políticos em Brasília e na dinâmica dos mercados globais, buscando sinais de que o Ibovespa possa retomar o fôlego após a correção de maio.