O Ibovespa encerrou o pregão de segunda-feira em queda de 0,61%, aos 189.579 pontos, acumulando a quarta baixa consecutiva. O movimento refletiu a combinação da persistência nas tensões entre EUA e Irã e a alta das expectativas de inflação no Brasil, causada pelo choque do petróleo. Usiminas (USIM5, +7,0%) liderou os ganhos, repercutindo a divulgação dos resultados do 1º trimestre de 2026. Cury (CURY3, -7,8%) foi a principal queda, pressionada pela abertura da curva de juros.
No cenário internacional, o preço do petróleo voltou a subir ontem em meio ao impasse nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. No final de semana, o Irã encaminhou nova proposta para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz, mas que adiaria as discussões sobre o programa nuclear iraniano para uma etapa posterior. De acordo com a Reuters, Donald Trump não recebeu bem o documento, uma vez que a eliminação das capacidades nucleares de Teerã tem sido um dos principais objetivos da ofensiva conjunta entre Estados Unidos e Israel iniciada no fim de fevereiro.
No Brasil, o Boletim Focus registrou nova alta nas projeções de inflação. A mediana das estimativas para o IPCA de 2026 subiu de 4,80% para 4,86%, enquanto as expectativas para 2027 avançaram de 3,99% para 4,00% e, para 2028, de 3,60% para 3,61%. No fim de fevereiro, o mercado projetava inflação de 3,91% para este ano e 3,79% para o próximo. A piora reflete principalmente a alta recente dos preços do petróleo.
Na agenda doméstica de hoje, destaque para a divulgação do IPCA-15 de abril pelo IBGE, prévia da inflação oficial que ganha relevância adicional em meio à pressão dos preços de combustíveis decorrente do conflito no Oriente Médio.