Informativo Diário
INFORMATIVO | 28 de Maio de 2026

Tabela de Índices

O Ibovespa encerrou o pregão de ontem em queda de 0,48%, aos 175.744,37 pontos, estendendo o movimento de correção que já acumula uma perda de 11,5% desde o pico histórico do ano. O índice brasileiro foi pressionado pela divulgação do IPCA-15 de maio, que subiu 0,62%, superando as projeções do mercado (0,57%) e elevando a inflação acumulada em 12 meses para 4,64%, acima do teto da meta. A pressão veio principalmente dos grupos de alimentação e habitação, o que reforça o cenário de juros elevados por mais tempo.

No cenário externo, o mercado digere as novas declarações do presidente Donald Trump sobre a imposição de tarifas de 25% sobre semicondutores e produtos importados, o que gerou estresse nas bolsas globais e impulsionou a aversão ao risco. Por outro lado, o petróleo registrou uma queda firme; o barril do tipo Brent recuou 5,31%, fechando a US$ 94,29, reagindo a sinais ambíguos, mas esperançosos, sobre as negociações entre EUA e Irã. A queda da commodity ajuda a aliviar as projeções de inflação de curto prazo, mas pesa sobre o desempenho das petroleiras.

O dólar comercial avançou 0,66% na quarta-feira, fechando a R$ 5,061, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior e a cautela com os dados de inflação doméstica. No mercado de juros, as taxas futuras (DIs) encerraram próximas da estabilidade, após oscilarem com o IPCA-15 acima do esperado, encontrando suporte no alívio vindo dos juros americanos (Treasuries) e na queda do petróleo. A curva segue inclinada, refletindo o prêmio de risco exigido pelos investidores diante das incertezas fiscais.

No Brasil, o foco de hoje recai sobre os dados do Caged e a repercussão do rebaixamento de recomendação do Banco do Brasil (BBAS3) pelo Goldman Sachs para “venda”, com preço-alvo de R$ 21,00, o que deve pressionar o setor financeiro. Além disso, o mercado monitora o impacto das tarifas americanas sobre as exportações brasileiras de tecnologia e manufaturados. A resiliência do mercado de trabalho e a dinâmica da inflação de serviços continuam sendo os principais pontos de atenção para a condução da política monetária pelo Banco Central.

Entre as ações, a Petrobras (PETR4) foi penalizada pelo tombo do petróleo, enquanto a Vale (VALE3) operou com volatilidade em meio às incertezas sobre a demanda chinesa e as novas barreiras comerciais americanas. O setor bancário, que já vinha sob pressão, deve enfrentar um dia desafiador após o relatório negativo sobre o BB. Em contrapartida, empresas ligadas ao consumo interno buscam suporte no alívio pontual dos juros longos, embora o IPCA-15 elevado limite o fôlego de recuperação.

Hoje, a agenda internacional destaca o índice de preços PCE nos Estados Unidos, a métrica de inflação preferida do Federal Reserve, que pode definir o rumo das taxas globais nas próximas semanas. No Brasil, o Ibovespa busca estabilização após a sequência de quedas, mas o ambiente permanece dominado pela cautela com a inflação doméstica e o cenário geopolítico incerto, exigindo uma postura defensiva dos investidores.

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Gustavo Peixoto

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