O cenário internacional voltou a orientar os mercados na sessão anterior, em meio ao agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã e aos reflexos sobre o preço do petróleo. A continuidade do conflito manteve os investidores atentos ao risco de novas pressões inflacionárias, já que a energia influencia custos de produção, transporte e consumo. Ainda assim, os dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos trouxeram leitura menos negativa: o índice cheio avançou em linha com as expectativas, enquanto a medida que exclui itens mais voláteis veio abaixo do esperado. Com isso, parte da pressão sobre o banco central norte-americano foi reduzida, reforçando a percepção de cautela antes de novos ajustes nos juros.
Na Europa, as bolsas avançaram, impulsionadas por empresas ligadas ao petróleo e gás. Já os mercados asiáticos fecharam em queda, refletindo maior aversão ao risco. As taxas dos títulos públicos norte-americanos também subiram levemente, sinalizando que investidores exigem prêmio adicional diante da incerteza geopolítica, da inflação de energia e das dúvidas sobre a política monetária global.
No Brasil, o Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,7%, em 168.619 pontos. A alta dos juros futuros voltou a pesar sobre empresas mais sensíveis ao crédito e ao consumo, enquanto companhias ligadas ao petróleo tiveram desempenho positivo. Na renda fixa, a curva de juros doméstica permaneceu pressionada, com leve abertura nos contratos futuros e nos títulos indexados à inflação mais curtos. O movimento refletiu o ambiente externo cauteloso e preocupações internas com inflação, Selic e risco fiscal.
No campo fiscal, o avanço de medidas com potencial de ampliar despesas públicas aumentou a cautela dos investidores. No curto prazo, as atenções seguem voltadas aos próximos dados de inflação nos Estados Unidos e aos números do setor de serviços no Brasil.