Abril/2026 em Números

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Fechamento de Mercado – Abril 2026 

1.1 Destaques do mês 

Cenário Brasil: 

Abril marcou uma mudança importante no tom do cenário doméstico. A economia continuou mais resistente do que se imaginava no curto prazo, sustentada por mercado de trabalho firme, renda elevada e algum impulso vindo de medidas de estímulo. Ao mesmo tempo, a inflação diminuiu, em linha com expectativas do mercado, em relação a março, puxado pelos grupos de Alimentação e Bebidas, seguidor por Saúde e cuidados pessoais, enquanto o Banco Central reduziu a Selic no fim do mês, mas com sinalização claramente mais cautelosa para os próximos passos. Na frente fiscal, houve melhora conjuntural das receitas, mas sem eliminação das dúvidas sobre a trajetória estrutural das contas públicas. 

Cenário Internacional: 

No exterior, abril foi dominado pelo aumento da incerteza em torno do conflito no Oriente Médio e de seus efeitos sobre o petróleo, a inflação global e a política monetária das economias centrais. A leitura predominante passou a ser de menor espaço para cortes rápidos de juros, especialmente nos Estados Unidos, enquanto a Europa permaneceu mais exposta ao choque de energia e a China continuou mostrando recuperação dependente de apoio público e com demanda doméstica fraca. 

Bolsa Brasileira: 

A bolsa brasileira passou por um mês dividido. Na primeira metade de abril, o mercado foi favorecido pelo real mais forte, pelo fluxo estrangeiro e pela percepção de que o Brasil poderia atravessar o choque externo em condição relativamente melhor do que outros emergentes. Na segunda metade do mês, porém, a piora da leitura para inflação e juros devolveu boa parte do otimismo, e o mercado acionário perdeu fôlego. 

Projeções: 

As projeções de fechamento do mês indicaram inflação mais pressionada em 2026, crescimento ainda positivo, câmbio mais comportado e Selic em queda apenas gradual. A leitura geral sugere um cenário em que a atividade ainda resiste, mas a inflação e o risco fiscal limitam o espaço para uma flexibilização mais intensa dos juros. 

1.2 Cenário Brasileiro: 

O cenário brasileiro em abril combinou atividade econômica ainda firme, inflação mais pressionada e juros em patamar elevado. O consumo das famílias continuou sustentado por mercado de trabalho resiliente, renda ainda favorável e medidas de estímulo. Esse comportamento ajudou a manter o crescimento no curto prazo, mas também reduziu a folga para uma queda mais rápida dos juros, uma vez que a demanda aquecida pode dificultar a desaceleração da inflação. 

A inflação, por sua vez, trouxe um sinal menos confortável ao longo do mês. O IPCA de março subiu 0,88%, acumulando 4,14% em doze meses, e abril mostrou alívio, com IPCA de 0,67% e alta de 4,39% em doze meses. A maior variação e impacto foram registrados no grupo Alimentação e bebidas (1,34% e 0,29 pp), seguido por Saúde e cuidados pessoais (1,16% e 0,16 pp). Juntos os dois grupos representaram, aproximadamente, 67% do resultado do mês. Os demais grupos apresentaram variações abaixo de 1,00%, ficando entre 0,06% observado em Transportes e em Educação, e 0,65% de Artigos de residência. Isso importa diretamente para os RPPS porque prolonga a cautela com a trajetória da inflação e aumenta a sensibilidade dos títulos mais longos às revisões de expectativas. 

A política monetária passou a exigir leitura mais prudente. Mesmo com a Selic em patamar elevado, o cenário de inflação mais persistente, expectativas desancoradas e incerteza externa recomenda cortes graduais. A taxa de juros ainda deve cair ao longo do ano, mas a leitura predominante é de que o processo será mais lento do que se esperava anteriormente. Para os investimentos dos RPPS, isso reforça a importância de acompanhar a marcação a mercado dos ativos de renda fixa, especialmente os títulos prefixados e indexados à inflação de prazo mais longo. 

Na frente fiscal, abril trouxe alívio parcial, não solução. A arrecadação foi beneficiada pela atividade mais forte e pelo aumento das receitas ligadas ao petróleo, mas parte desse ganho tende a ser consumida por medidas de suavização dos preços domésticos de combustíveis. A leitura central, portanto, continua sendo de fragilidade estrutural: o curto prazo melhorou, mas a trajetória da dívida e a dificuldade de consolidação fiscal seguem como pontos de atenção. O câmbio refletiu esse quadro misto. O real se fortaleceu e ajudou a conter parte da pressão inflacionária, mas sua sustentação ainda depende do ambiente externo, do diferencial de juros e da confiança nas contas públicas. 

O real apresentou desempenho favorável, beneficiado pelo diferencial de juros elevado, pela entrada de capital estrangeiro e pela melhora dos termos de troca, especialmente em razão do petróleo. Ainda assim, a taxa de câmbio segue sujeita à volatilidade externa, ao risco fiscal e ao ambiente eleitoral. 

1.3 Cenário Internacional: 

O cenário internacional de abril foi marcado pelo aumento da incerteza global. O conflito no Oriente Médio com a continua oscilação do preço do petróleo, reacendeu preocupações com custos de energia e tornou mais difícil a condução da política monetária em várias economias. Em vez de um ambiente de descompressão, o mês terminou com mais dúvidas sobre a duração do choque e sobre sua capacidade de contaminar preços, expectativas e decisões de investimento. 

Nos Estados Unidos, a percepção dominante passou a ser de pouco espaço para cortes adicionais de juros em 2026, diante de um núcleo de inflação ainda resistente e de um choque de energia que complica o processo desinflacionário. Na Europa, o ambiente seguiu mais delicado por causa da maior exposição ao custo da energia e do crescimento mais fraco. Na China, embora alguns dados tenham vindo melhores na margem, a demanda doméstica continuou dependente de estímulos e sem força suficiente para uma recuperação mais ampla. Para o Brasil, isso significa um cenário externo ainda capaz de apoiar o país em alguns pontos, sobretudo pelo petróleo e pelo diferencial de juros, mas longe de oferecer estabilidade confortável para os ativos. 

1.4 Bolsa Brasileira: 

A bolsa brasileira refletiu bem a mudança de humor do mês. Houve, primeiro, uma fase de otimismo, apoiada pelo real apreciado, pelo fluxo estrangeiro, pelos preços mais altos das commodities e pela leitura de que o Brasil estava relativamente bem-posicionado no choque externo, o índice atingiu a máxima de 198.657,3 pontos no dia 14 de abril. Esse movimento levou o mercado a renovar máxima histórica. Depois, porém, a combinação de inflação mais pressionada, juros futuros mais altos e menor visibilidade sobre o conflito deteriorou o ambiente e levou à devolução dos ganhos.  

Para o investidor institucional, a principal mensagem foi que a melhora da bolsa continua dependente de um equilíbrio delicado. O fluxo estrangeiro ajuda, o câmbio mais forte melhora a percepção de risco e o valuation segue atraente em alguns segmentos. Ainda assim, juros elevados por mais tempo e incerteza fiscal continuam limitando uma valorização mais consistente. Em outras palavras, abril mostrou que o mercado acionário pode reagir bem em momentos de alívio, mas segue muito sensível a qualquer piora na inflação ou na curva de juros. 

O Ibovespa encerrou abril de 2026 com leve queda de 0,08%, fechando a 187.317,64 pontos em 30/04/2026. O mês foi de “dois mundos”: iniciou com recordes históricos próximos a 200 mil pontos, mas teve realização de lucros na segunda quinzena, mantendo uma alta acumulada no ano de 16,26% até abril. 

1.5 Projeções: 

Inflação (IPCA): 

A mediana para 2026 encerrou abril em 4,89%. A revisão decorre da alta do petróleo, dos combustíveis, de alimentos e da maior persistência dos núcleos de inflação. O principal risco é a disseminação do choque para outros preços. 

Crescimento do PIB: 

A projeção para 2026 ficou em 1,85% em 2026. A atividade segue sustentada pelo mercado de trabalho, pelo consumo e por estímulos fiscais e creditícios, mas deve perder força ao longo do ano em razão dos juros ainda elevados e da maior incerteza. 

Câmbio (R$/US$): 

A mediana para o fim de 2026 ficou em R$ 5,25 por dólar. O real tem sido favorecido pelo fluxo estrangeiro, pelos juros altos e pelas commodities, mas segue exposto ao risco fiscal, ao cenário externo e ao período eleitoral. 

Taxa Selic (% a.a.): 

A expectativa para o fim de 2026 ficou em 13,00% ao ano. A justificativa é a inflação ainda acima da meta, a piora recente das expectativas e o choque de energia, que reduz o espaço para cortes mais rápidos. O viés dependerá principalmente da duração do conflito, do comportamento dos preços administrados e da reação das expectativas. 

Inflação Administrados: 

A projeção para 2026 ficou em 4,98%. Combustíveis e energia continuam como os principais focos de atenção, mesmo com eventuais medidas de suavização tributária. O viés segue de pressão moderada para cima. 

Setor Externo: 

A projeção para a conta corrente em 2026 ficou em déficit de US$ 61,20 bilhões, enquanto a balança comercial foi estimada em superávit de US$ 75,00 bilhões. A produção recorde de petróleo e a melhora dos termos de troca ajudam a sustentar essa leitura. O principal risco seria uma reversão mais forte do ambiente global ou maior pressão da demanda doméstica sobre importações. 

Investimento Direto no País (IDP): 

A estimativa para 2026 ficou em US$ 75,00 bilhões. O ingresso de investimento direto segue como ponto de sustentação relevante para o financiamento externo do país. 

Indicadores Fiscais: 

As projeções indicaram dívida líquida do setor público em 69,90% do PIB, resultado primário de -0,50% do PIB e resultado nominal de -8,50% do PIB em 2026. O curto prazo foi beneficiado por arrecadação melhor e receitas ligadas ao petróleo, mas o quadro estrutural continua exigindo prudência. O principal ponto segue sendo a sustentabilidade das contas públicas ao longo do tempo. 

1.6 CONCLUSÃO: 

Abril de 2026 reforçou uma mensagem importante para o acompanhamento dos investimentos dos RPPS: o cenário brasileiro segue relativamenteresiliente, mas ficou mais incerto. A atividade continua sustentada no curto prazo, o câmbio ajudou e o país ainda se beneficia parcialmente do choque do petróleo. Em contrapartida, a inflação veio dentro das expectativas do mercado, os juros devem cair mais lentamente e o tema fiscal continua sem solução estrutural clara.  

Para os próximos meses, merecem atenção especial a evolução do conflito no Oriente Médio, a transmissão do choque de energia para os demais preços, o comportamento da inflação de serviços, a velocidade do ciclo de cortes da Selic e a condução das medidas fiscais. Em termos práticos, o ambiente ainda favorece a renda fixa em retorno nominal, mas mantém elevada a necessidade de disciplina na gestão de prazos, de cautela com ativos mais sensíveis à curva longa e de seletividade na renda variável. 

1.7 RESUMO: 

O mês de abril foi marcado por um cenário doméstico ainda resiliente, mas mais pressionado pela inflação e pela incerteza externa. A economia brasileira seguiu firme no curto prazo, mas a inflação voltou a preocupar mais, o Banco Central reduziu a Selic com cautela e o ambiente externo ficou mais incerto por causa do choque do petróleo. O câmbio e as contas externas melhoraram, a bolsa oscilou bastante e o fiscal continuou como ponto central de atenção. A direção geral do cenário segue pedindo prudência, com foco em inflação, juros, fiscal e efeitos do ambiente internacional sobre os ativos dos RPPS.

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Gustavo Peixoto

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